Um forwarder em Gênova aperta os olhos no celular — outro navio de Tanger Med, oito dias atrasado, sem sinal dos contêineres.
É o que tá rolando no Mediterrâneo central agora, com as redes regionais de feeders dobrando os joelhos de novo por causa do caos no Oriente Médio. Esquece os empilhamentos nos portos da época que o Mar Vermelho incendiou; dessa vez, são contêineres sumindo e escalas que valem tanto quanto promessa de político. Quem tá caçando caixas pra Itália? Boa sorte — elas tão por aí, sim, mas não onde e quando você precisa.
Sogese, os experts italianos em contêineres, cravou: “os contêineres estão por aí, mas não onde ou quando o mercado precisa deles”.
“O mercado hoje é definido por quão eficientemente o equipamento circula, não por quanta quantidade existe.” disse Andrea Monti, CEO & MD. “Não é problema de suprimento, é de circulação”, completou.
Por Que os Contêineres Sumiram dos Portos Italianos?
Culpa dos grandes navios desviando dos mísseis do Iêmen, dando a volta larga pelo Cabo da Boa Esperança na África. Isso entope hubs do Oeste Med como Algeciras e Tanger Med com volume extra — 50% dos navios esperando vaga em Algeciras essa semana, segundo os dados eeSea da Xeneta, 27% em Tanger. Beleza pros gigantes transcon, mas deixa os feeders que distribuem pro sul da Europa passando fome.
Importadores na Itália? F.... Resumindo: dependência dessas pernas feeder explodiu, transformando um pulo rápido num vórtice de instabilidade. As mainlines — pouco confiáveis como sempre, com serviços Ásia-Med batendo só 64,7% no prazo em jan/fev (queda de 2,7 pontos no mês, diz Sea-Intelligence) — apertam as janelas de conexão. Resultado: feeders carregando mais carga, mais tarde, mais caro.
Aqui vai o lado cínico: quem tá lucrando? Os operadores de feeders, oras. Monti explica: “A perna feeder não é mais secundária, tá virando o ponto onde custo e confiabilidade se definem.” Certeza. Enquanto as mainlines empurram o problema, feeders sobem frete em rotas como Tanger-Gênova. Forwarders apertam margem; clientes reclamam do preço. Clássico.
Curto e grosso: Congestionamento persiste.
Mas vai mais fundo — isso não é novidade. Lembra 2016, falência da Hanjin: pilhas de caixas paradas no mundo todo porque a circulação travou, não o suprimento. O mesmo fantasma assombrando o Med agora. Minha aposta ousada? Taxas de feeders sobem 20-25% até o Q3, carriers embolsam como ‘ajustes de emergência’, enquanto shippers pagam surcharges intermináveis. A mídia chama de ‘resiliência’; eu chamo de lorota — é dor lucrativa.
A Cadeia de Suprimentos da Itália Tá Unicamente F....?
Navios em Gênova com média de cinco dias de atraso no mês passado. La Spezia? Oito. eeSea registra como piores níveis de meados de 2024. Relatório da Sogese vai direto: “A Itália reflete dinâmicas europeias mais amplas, com sensibilidade extra a mudanças de rotas e confiabilidade dos feeders.”
Resilientes, dizem. Mais pra comercialmente complicada — com forwarders brigando contra custos operacionais subindo e clientes enchendo o saco com preços. Mercados do Med central dependem pesado dos hubs do Oeste agora, amplificando cada pane.
E os feeders leste-oeste no Med? Estresse agudo por geopolítica, mas sem apocalipse em terminais do lado oeste dessa vez. São as veias da rede entupindo — equipamento preso no loop errado, escalas rasgadas.
Uma frase só: Forwarders se debatendo na água.
Amplia a visão: Carriers de oceano jogam surcharges de combustível emergenciais em cargas pros EUA, inflando fretes lá. Med fica com a ressaca da circulação. Maersk atualiza estimativas (justo, dizem), DSV sem gás, FedEx força marketing no meio de acordos trabalhistas incertos. Caos pra todo lado.
Meu toque único? Essa ‘crise de circulação’ espelha as faltas de chips do Vale em 2021 — silício aos montes, fábricas erradas. Só que aqui, carriers não vão resgatar ninguém; vão faturar o rolo. Fica de olho na DHL liderando a corrida ao garfar capacidade de feeders cedo.